Amo o início, tolero o meio e odeio o fim
O início sempre seduz. Não por quem se conhece, mas por quem ainda não se revelou. No início, tudo é possibilidade e nenhuma possibilidade decepciona.
O início vive de coincidências bonitas, de risadas que parecem destino, de pequenos sinais que eu chamo de sentido. No início, o amor não exige maturidade, só entusiasmo.
O meio surge quando a fantasia encontra o cotidiano. Já não há mistério suficiente para sustentar o encanto, nem verdade suficiente para encerrá-lo. É um território de ajuste, onde se aprende a aceitar o que não era parte do ideal.
O meio… o meio eu tolero.
É quando o encanto começa a negociar com a realidade. Quando o “pra sempre” vira “vamos ver”. Quando o que era silêncio confortável vira ausência desconfortável.
No meio, eu insisto mais do que escuto. Reinterpreto sinais, defendo gestos mornos, romantizo o que já é aviso.
Eu tolero o meio porque ainda acredito que intensidade pode virar permanência, que querer muito pode compensar querer sozinho.
Mas o fim… o fim eu odeio.
O fim não vem com trilha sonora, vem com retrospectiva. É quando o passado inteiro muda de significado. Quando percebo que o amor não acabou — ele nunca foi igual dos dois lados.
O fim me ensina tarde que amar não é convencer, que conexão não é contrato, e que ninguém erra por não sentir.
Talvez algumas histórias não existam para durar. Existam apenas para nos mostrar o quanto somos capazes de sentir antes de aprender a sentir melhor.
Eu amo o início porque ele me faz acreditar. Tolero o meio porque não sei desistir. E odeio o fim porque ele me obriga a enxergar.
Escrito com a alma e a tinta do coração
Felipe Castro
1 de fevereiro de 2026