Silêncio
O silêncio não é vazio. Ele é cheio do que não foi dito, do que quase aconteceu, do que ficou no meio do caminho.
Ele aparece quando as palavras perdem peso, quando respostas chegam curtas demais para sustentar expectativas longas. Quando o que era presença vira intervalo.
Há silêncios que nascem depois de promessas. Não promessas faladas, mas aquelas que se constroem no ritmo das conversas, nos planos imaginados, na sensação de que algo estava se formando.
Tudo parecia ter direção. E então, sem aviso, o curso muda. Não há discussão, não há fim declarado. Apenas menos. Menos interesse. Menos tempo. Menos início.
O silêncio também cansa. Cansa de ser interpretado, traduzido, explicado. Cansa de ser esperança disfarçada de paciência.
Dói porque o silêncio não quebra de uma vez. Ele se alonga. Se estende. Faz quem espera questionar se sentiu demais, se entendeu errado, se criou algo sozinho.
No fim, o silêncio ensina aquilo que ninguém quer aprender: nem tudo que parece início vira continuidade. Nem toda conexão resiste à ausência de palavras.
E ainda assim, há algo humano em ter esperado. Em ter acreditado. Em ter sentido.
Porque o silêncio passa, mas a capacidade de sentir, fica.
Escrito com a alma e a tinta do coração
Felipe Castro
2 de fevereiro de 2026